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Little things I say

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April 12th, 2006


12:31 pm - cotão
Para os que me conhecem isto não é novidade: o meu carrito não é aspirado nem lavado há meses... ui, verão passado, talvez!
E eis o meu espanto quando reparei num tico de cotão, assim alojado na zona da manete das mudanças. E pensei ah é só um tico, não tem importância. Todavia, parece-me que aquilo era tipo um imigrante e que foi chamando a família: ah este carro é engraçado e acolhedor, venham pois para cá. E foi assim que uma família inteira de cotão se alojou no meu carro.
Eu sou do genero de pessoas que acredita na solidariedade ;) e tão depressa não limpo o carro. Ok ok eu sacudo um tapete ou outro.
Current Mood: happyhappy

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March 29th, 2006


11:07 am - Tempo Branco
A felicidade não é um estado permanente, definitivo.
Não são as situações firmes, seguras, prolongadas, que desencadeiam num ser esse processo rápido e possante que faz brilhar os olhos e abrir os lábios num sorriso franco.
Nem são, tão pouco, situações que vão ficar gravadas na memória e no coração como estrelas cintilantes no céu velado da existência.
São momentos...
Momentos feitos dessa substância etérea, sublime e fugaz...
Momentos que se evadem no tempo e no espaço deixando poeiras enfeitiçadas aqui e ali...
Momentos passados... manchas de luz nas paredes, outrora vazias, de uma alma sombria.
Momentos fugidios... oscilando entre o imenso e o minúsculo, construindo uma vida e repartindo-a em mil pedaços.
Momentos que tocam o mais íntimo, como um relâmpago veloz, que parte logo depois de deixar o corpo a tremer numa alegria louca ou os olhos pasmados num transe calmo de felicidade.
E é através deles que recordamos tudo o que foi belo, tudo o que foi forte, tudo o que foi grande; tudo o que devemos, realmente, considerar como a nossa vida.
E são eles que perduram quando tudo o resto foi levado pelo tempo, pela própria vida...
E são eles que devemos recordar porque a mágoa de um passado é sempre amena; um misto de dor, saudade e sentimento, a luz que nos guia num futuro, lembranças que, ao recordarem-nos o que fomos, nos dão a certeza de que ainda somos e continuaremos a ser... alguma coisa... que vale sempre a pena!

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11:01 am
Como é fácil ser difícil. Basta ficar longe dos outros e, desta maneira, não vamos sofrer nunca. Não vamos correr os riscos do amor, das decepções, dos sonhos frustados.

Como é fácil ser difícil. Não precisamos de nos preocupar com telefonemas que precisam ser dados, com pessoas que pedem nossa ajuda, com a caridade que é necessário fazer.

Como é fácil ser difícil. Basta fingir que estamos numa torre de marfim, que jamais derramamos uma lágrima. Basta passar o resto da nossa experiência representando um papel.

Como é fácil ser difícil. Basta abrir mão do que existe de melhor na vida.

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March 24th, 2006


05:52 pm - ...
alguns velhos hábitos trazerem saudade
Current Mood: melancholymelancholy

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March 9th, 2006


11:41 am - comemorar o Dia da Mulher é algo decadente
Quem são os melhores amigos da mulher? Naaaaa, nem o cão, nem o homem (eles são mesmo o melhor amigo um do outro).
Os melhores amigos da mulher são, para além do telemóvel e do cartão de crédito, o creme anti celulitico (para nos refazermos das não idas ao gym), o creme anti rugas (ó tempo volta para trás), o belo do perfume (uma tentação para os homens), o verniz para as unhas... Enfim, toda uma parafernália de coisas que nos ajudam a sentir mais mulheres ainda... qué isto? Ando mesmo a ler revistas a mais!! Que linguagem decadente!
Adiante, ah e tal é o Dia da Mulher... e se um desconhecido lhe oferecer flores? Isso é Impulse, ou melhor eu não resistiria ao impulso...
Current Mood: okayokay

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March 7th, 2006


02:20 pm - dislexia na ponta dos dedos
A dislexia é um problema sério, a ser enfrentado como tal. Todavia, os tempos modernos trazem consigo um novo tipo de dislexia: a dislexia da ponta dos dedos. Teclar, meus amigos, é algo que exige alguma rapidez, nomeadamente quando se trata da utilização de programas como o Messenger (ou Mensageiro, na língua de Camões). Por vezes, este teclar incessante resulta na criação de novos vocábulos, nunca dantes imaginados.

Eis alguns exemplos disso mesmo. E façam o favor de recolher os vossos e, assim, deixar um contributo valioso para a revisão de toda a língua portuguesa. Quanto a mim, era altura de adaptar toda a língua camoniana a esta linguagem prática e simples do MSN e SMS. Isto de escrever as sílabas todas tem de acabar, dá imenso trabalho e ali ao lado já há outra janela a piscar, no MSN…



Muga = miga, amiga, camarada ou em linguagem mais corrente «pázinha»

Jucas = jokax, beijocas, beijinhos e isso

Abreijos = abraços e beijos, uma espécie de 2 em 1 (uma bela síntese de um amplexo ou abraço com ósculos ou beijos)

Tagos Deforentos = Gatos Fedorentos, numa perspectiva mais apressada!

Çpçpçpçpçpçpçp = lolololololololo, ou seja laughing out loud, ou rir às bandeiras despregadas (acho esta expressão supé bem), ou ainda rir como o camandro

Oki = ok, ou seja zero killing, mas com mais um «i»

Xim = esta é linda, senhoras e senhoras, o que custa escrever um «s»? Hein? Ou será que a pressão a exercer sobre a tecla «s» é maior do que aquela que se exerce sobre a tecla «x». Confesso que não percebo! É esta e o ixo. Repitam em voz alta: ixo xim! Não é ridículo?

Komo = voltamos à mesma questão: porquê um «k» em vez de um «c»?

Sachavore = se faz favor, ou sff. A minha palavra preferida de todas. E isto, sim, é escrever tal como se diz.

Prantes = prontos, ou melhor pronto.

Glog = blog ou seja… ou seja o quê? Como é que isto se diz em bom português? Pois, nem sei. Adiante.
Current Mood: energeticenergetic

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March 2nd, 2006


02:51 pm - «A gente o que mais precisa é uns dos outros»
Nem mais, nem menos. Li isto algures e pensei ah e tal tanta coisa que se escreve sobre a amizade, páginas e páginas de teorias, de artigos, de crónicas. Ele é psicólogos, filósofos, terapeutas, um sem número de gente a escrever para tudo o que é revista a opinar sobre algo que afinal se reduz a isto «a gente o que mais precisa é uns dos outros». Simples, conciso e à portuguesa.

Verdadeiro?!

O ser humano sempre foi gregário, blá, blá, blá (é favor ler um qualquer manual de psicologia, que eu agora não disponho de tempo que baste para explicar), depois é o grupo, a família, o grupo de amigos, a escola e por aí fora. Inegável, é certo.

Daí que considere a frase tão simples e tão complexa; porque se aquilo de que a gente mais precisa é uns dos outros, também é certo que aquilo que mais nos complica a vida é… os outros. Seja pela presença, pela ausência… nunca nada está bem entre nós e os outros; ou se está, algo acontece rapidamente para destruir tal harmonia.

Jean Paul Sarte escreveu um dia que o Inferno são os outros; eu do Sartre não tenho grandes recordações; tive que ler O Ser e o Nada em português do Brasil e uma peça que se chamava As Moscas. Compreendem, pois, que o trauma é demasiado para agora estar aqui a tecer considerações sobre a ontologia fenomenológica do Xô Tor Sartre. Apenas o inclui neste texto de forma a elevar o conteúdo no mesmo. Aconselham que nas crónicas do quotidiano (como esta) se refira uma frase famosa, de alguém famoso. Ora aí têm.

Precisamos muito dos outros, e também de nós próprios. Precisamos da presença dos outros, mas também de estar presentes em nós. Sempre e a todo o momento. De forma consciente e verdadeira. Sempre e a todo o momento. Tal como os outros, que devem estar sempre presentes, e não só na perspectiva utilitarista de ah e tal dava-me jeito que a Cátia aparecesse, ah e tal agora não me apetece atender o José, que só liga quando precisa de mim…

A amizade, meus amigos, é uma coisa de estilo omnipresente. Exige-nos atenção, cuidado em relação ao outro e a nós mesmos. Porque convém ter uma boa relação de amizade com todos aqueles que nos habitam (lá estou eu com as minhas referências pessoanas ao outrar…)
Current Mood: melancholymelancholy

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February 27th, 2006


03:30 pm - momento zen
No instante de um pensamento,
Minha mente turbulenta chegou a um descanso.

O interior e o exterior,
Os sentidos e seus objetos,
São completamente lúcidos.

Em uma volta completa,
Esmaguei a grande vacuidade.

As dez mil manifestações
Surgem e desaparecem
Sem qualquer razão.

— Han-shan

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February 22nd, 2006


12:31 pm - escrever a minha própria história
- O quê, não me digas que vais agarrar agora no caderno e escrever a história da tua vida até agora?!
- Não - respondi - quero é começar a escrever a história da minha vida a partir de agora.
Current Mood: calmcalm

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February 20th, 2006


10:34 am
escuridão, as trevas desesperadas, é esse o círculo terrível da vida do dia-a-dia. Por que é que uma pessoa se levanta de manhã, come, bebe e se deita outra vez? A criança, o selvagem, o jovem saudável, o animal não padecem sob a rotina deste círculo de coisas e actividades indiferentes. Aquele a quem os pensamentos não atormentam, alegra-se com o levantar pela manhã e com o comer e o beber, acha que é o suficiente e não quer outra coisa.
Mas quem viu esta naturalidade perder-se, procura no decurso do dia, ansioso e desperto, os momentos da verdadeira vida cujas cintilações o tornam feliz e que apagam a sensação de que o tempo reúne em si todos os pensamentos relativos ao sentido e ao objectivo de tudo. Podem chamar a esses momentos, momentos criadores, porque parece que trazem a sensação de união com o criador, porque se sente tudo como desejado, mesmo que seja obra do acaso. É aquilo a que os místicos chamam união com Deus. Talvez seja a luz muito clara desses momentos que faz parecer tudo tão escuro, talvez a libertadora e maravilhosa leveza desses momentos faça sentir o resto da vida tão pesada, pegajosa e opressiva. Não sei, não aprofundei muito o pensamento e a tirada filosófica. Mas sei que se há bem-aventurança e um paraíso tem de ser uma duração incólume de tais momentos, e se se pode obter esta felicidade pela dor e pela sublimação na dor, não há nenhuma dor que justifique a fuga.


(Hermann Hesse, in 'Gertrud' (personagem Kuhn))
Current Mood: tiredtired

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